Não Digas Nada

23-03-2010 21:32

 

Não Digas Nada

 

Olha!

Olha-me nos olhos!

Franze o mavioso sobrolho e grita:

Grita, sem rodeios nem maneiras!

Grita!

Grita-me que não

Não é amor,

Não roça sequer, Nem toca a medo

Nunca é paixão

 

Encolhe os ombros.

Vá, encolhe-os!

Agora diz que talvez…

Um sim, um não

Tomba a cabeça,

De um lado para outro

Revira os olhos em indecisão

Nem é bem amor, nem chega a paixão:

 

Que te corre no corpo;

Que te inspira a alma;

Que te vicia a mente;

Que te pulsa no coração.

 

Encolhe os ombros,

Afirma convicta

Que nem amor, nem paixão:

Que só a minha existência te irrita

 

Pois tua profundamente desrespeita

As leis da perfeição humana

Ser hiperfísico és

Tua existência de si ufana,

Mundana, vil, profana,

Convida-me a despertar

Do meu característico apatismo.

Fantástico, esse teu magnetismo,

Que me faz gritar os Sentidos

Que me faz dizer não, talvez e sim

Que me faz sussurrar teu nome ao vento

 

Agora, olha-me…

Peço-te…: olha-me como nunca olhaste

E segreda;

Sussurra-me ao ouvido que sim,

Bem baixinho…

A voz fraqueja?

Di-lo de mansinho…

Esquece tudo o que sentes

(Eu apenas te sinto a ti)

O mundo é um mísero pontinho

Negro, no vivo fogo carmim,

Que nos envolve e consome:

No preciso momento

Em que gritas,

Em que dizes,

Em que segredas que sim.

 

Pedro Gonçalves 12ºD2