Não Digas Nada
Não Digas Nada
Olha!
Olha-me nos olhos!
Franze o mavioso sobrolho e grita:
Grita, sem rodeios nem maneiras!
Grita!
Grita-me que não
Não é amor,
Não roça sequer, Nem toca a medo
Nunca é paixão
Encolhe os ombros.
Vá, encolhe-os!
Agora diz que talvez…
Um sim, um não
Tomba a cabeça,
De um lado para outro
Revira os olhos em indecisão
Nem é bem amor, nem chega a paixão:
Que te corre no corpo;
Que te inspira a alma;
Que te vicia a mente;
Que te pulsa no coração.
Encolhe os ombros,
Afirma convicta
Que nem amor, nem paixão:
Que só a minha existência te irrita
Pois tua profundamente desrespeita
As leis da perfeição humana
Ser hiperfísico és
Tua existência de si ufana,
Mundana, vil, profana,
Convida-me a despertar
Do meu característico apatismo.
Fantástico, esse teu magnetismo,
Que me faz gritar os Sentidos
Que me faz dizer não, talvez e sim
Que me faz sussurrar teu nome ao vento
Agora, olha-me…
Peço-te…: olha-me como nunca olhaste
E segreda;
Sussurra-me ao ouvido que sim,
Bem baixinho…
A voz fraqueja?
Di-lo de mansinho…
Esquece tudo o que sentes
(Eu apenas te sinto a ti)
O mundo é um mísero pontinho
Negro, no vivo fogo carmim,
Que nos envolve e consome:
No preciso momento
Em que gritas,
Em que dizes,
Em que segredas que sim.
Pedro Gonçalves 12ºD2