Mulheres - Poema declamado no dia da Mulher

23-03-2010 21:26

  Mulheres 

 

Mulheres…Ah! Mulheres,

Se há mulheres…

As imaculadas filhas de Eva:

Maçã e Dentada

Alvo sol, luz, madrugada

Iluminam-nos dentro e fora;

Põem-nos um sorriso

Verdadeiros pedaços do Paraíso.

Ah Mulheres!

 

E quantos levam À loucura,

Aos meros filhos de Adão

Atacam suaves cascavéis sibilando

Tentação, sublime ternura

Atacam, corações de perda, polpa madura;

Outras invertidas são

(o estado pouco dura)

São muito intricadas:

Fazem-se de complicadas

E dizem ser só coração

 

(Mas não liguem aos “loucos”

São fúteis e egoístas quando deviam de rir

Não lhes sangra o ventre todos os meses…

Nem sequer têm de parir…)

 

Ah mulheres!

São Anjos demoníacos

Demónios angelicais,

E outro paradoxos que tais

Quanta tinta fazem correr

 E quantos corações fazem bater

Num esforço inglório de as definir:

Nenhum as consegue definir

Beleza demais só no existir

Demasiado brilho no olhar!

Mulheres…

 

Fazem-nos sentir reis

E cuidam da família e trabalham,

E são mulheres, mães, filhas, têm profissão;

Apenas nos pedem igualdade; Compreensão…

Nem isso os homens lhes dão.

Arregaçam mangas, elas

E entre tachos e panelas

Erguem punhos de revolução

Lutam p’lo que merecem

Fazem das tripas coração

 

E morremos mais cedo,

Nós homens, do alto do nosso orgulho:

Pela simples razão que se morressem elas primeiro

Viveríamos no degredo,

De uma vida triste, monótona, monocórdica

Simples existência amórfica

e sem qualquer sentimento que não o orgulho

E é disto, é disto que temos medo!

Não é segredo…

 

Sabemo-lo agora,

Sabia-o Adão:

Morremos mais cedo (é certo)

Mas de sorriso na boca,

E dentada no coração.

 Pedro Gonçalves 12ºD2