Mulheres - Poema declamado no dia da Mulher
Mulheres
Mulheres…Ah! Mulheres,
Se há mulheres…
As imaculadas filhas de Eva:
Maçã e Dentada
Alvo sol, luz, madrugada
Iluminam-nos dentro e fora;
Põem-nos um sorriso
Verdadeiros pedaços do Paraíso.
Ah Mulheres!
E quantos levam À loucura,
Aos meros filhos de Adão
Atacam suaves cascavéis sibilando
Tentação, sublime ternura
Atacam, corações de perda, polpa madura;
Outras invertidas são
(o estado pouco dura)
São muito intricadas:
Fazem-se de complicadas
E dizem ser só coração
(Mas não liguem aos “loucos”
São fúteis e egoístas quando deviam de rir
Não lhes sangra o ventre todos os meses…
Nem sequer têm de parir…)
Ah mulheres!
São Anjos demoníacos
Demónios angelicais,
E outro paradoxos que tais
Quanta tinta fazem correr
E quantos corações fazem bater
Num esforço inglório de as definir:
Nenhum as consegue definir
Beleza demais só no existir
Demasiado brilho no olhar!
Mulheres…
Fazem-nos sentir reis
E cuidam da família e trabalham,
E são mulheres, mães, filhas, têm profissão;
Apenas nos pedem igualdade; Compreensão…
Nem isso os homens lhes dão.
Arregaçam mangas, elas
E entre tachos e panelas
Erguem punhos de revolução
Lutam p’lo que merecem
Fazem das tripas coração
E morremos mais cedo,
Nós homens, do alto do nosso orgulho:
Pela simples razão que se morressem elas primeiro
Viveríamos no degredo,
De uma vida triste, monótona, monocórdica
Simples existência amórfica
e sem qualquer sentimento que não o orgulho
E é disto, é disto que temos medo!
Não é segredo…
Sabemo-lo agora,
Sabia-o Adão:
Morremos mais cedo (é certo)
Mas de sorriso na boca,
E dentada no coração.
Pedro Gonçalves 12ºD2